Etonismo: «uma sugestão contra corrente».
Adriano Mixinge, Historiador de Arte
«Etonismo, motivo suficiente para História de Arte Angolana de Patrício Batsîkama é um manuscrito actilografado, com 136 páginas. Salvo um pequeno retrato, logo na capa do manuscrito, o texto não traz reproduzida qualquer imagem, o que impede contrastar texto e imagens, os casos em que o autor faz uma análise formal e conceptual não só de algumas das obras do artista plástico António Tomas Ana (Etona), como também de outras de arte universal a que ele se refere.
Convém deixar claro, desde já, que optamos por uma versão resumida do parecer, porque, de modo geral, encpntrámos inúmero problemas ortográficos, de sintaxe e redacção, de tradução, de conceitos, erros na atribuição de autoria de obras – como por exemplo , atribuir «Grito» de edward Munch À Van Gogh –, de extrapolação de ideias e de superficialidade na argumentação, ao ponto de – não é metáfora nem nada – encontrar qualquer coisa de imprecisa, errada ou inexacta em todos os parágrafos do texto. Um parecer permenorizado exigiria, então, um trabalho mais extenso, quase que nos obrigaria, passe a expressão, a reescrever o livro em vez de ser o próprio autor a fazê-lo para consciencializar a suas insuficiências e evitá-lo no futuro. É pois, neste contexto e tendo em conta o ramalhete de insuficiências encontradas que fica sob a exclusiva responsabilidade do autor, dos patrocinadores e do editor a conveniência de publicar o texto.
Da estrutura do texto
Sub-dividido em prefácio, introdução (I. Definições sobre Arte; III: Problemáticas da Arte em Angol; II. Como avaliar uma obra artística; IV. Génese do Etonismo; V. Etonismo, uma corrente artística), seguidos das conclsões e Bibliografia, se nos afigura que o capítulo I e III deviam ir um depois outro e não – como o autor apresenta – intercalados pelo capítulo II. De aceita-se a nossa sugestão, permitiria ao leitor de vir de questões de carácter teórico-conceptual relativas a Arte, em geral, às problemáticas da arte em Angola e depois se circunscrever a análise da obra de Tona e consequentemente do Etonismo.
Do conteúdo do texto.
Acreditamos que, com mais ou menos importância, a obra de qualquer artista plástico pode servir de pretexto para uma análise que contribuirá a traçar um panorama á história de arte angolana. Mas o que não nos parece explicado no texto é em que medida a obra de um artista como Tona, independentemente das caracteristicas formais da sua obra, que a particularidzam e a distinguem como tal, pode realmente ter fundado uma corrente artística, quanto mais não seja pelo facto de que um artista por si só não faz nunca uma corrente.
Uma corrente artística tal como sempre se analisou na história de arte – o livro As vanguardas artísticas do século XX de Peter Burger é, nesse sentido, esclarecedor – supõe que um grupo de artistas de uma ou várias manifestações artísticas, num momento e lugar determinado, se interesem por temas determinados e os abordem de maneira parecida.
Se bem é verdade que muitas das correntes artísticas de primeira metade do século XX surgiram do diálogo entre a obra dos artistas plásticos e as denominações dadas pelos críticos, não é menos certo que a maior parte delas surgiu como consciência de grupo sempre esplhada daquilo que foram osseus manifestos.
Ou seja, considero um tanto quanto absurdo que o autor queira derivar da obra de um só artista, que, por certo nem sequer um discípulo conhecido tem, sem quaisquer fundamentos teórios e insuficiente domínio técnico –fraco domínio do desenho e da figura humana – já que, diga-se, pinta aleijados onde devia deformar a figura humana, queira, dizia, explicar a existência de uma corrente artística.
Da linguagem utilizada
É absolutamente indispensável uma drástica revisão gramatical, que faça mais compreensívelo texto.
A bibliografia consultada é insuficiente, já que:
1. Ignora alguns dos textos clássicos da história e da crítica de Arte Ocidental do século XX;
2. Consulta de forma parcial (ou não consulta) alguns dos textos fundamentais de autores como Jean-Godefroy Bidima que devia sistematizar e ler dele, por exemplo, L’Art Negro-Africain, coisa que não faz;
3. Ignora autores como Okwui, Olu Oguibe, Simon Ndjami, Raschid Araen, Anthony Kwame Appiah, Paulin Hountondji, Achille Mbembe, James Clifford, Homi Babha e Walter Wignolo, por exemplo, que se debruçam tanto relativamente a questão do discurso pós-colonial sobre a arte contemporânea africana, sobre a endogeneidade do discurso crítico africano, na era da pós pós-modernidade e ga globalização;
4. Não parece conhecer o circuito de promoção e legitimação d Arte Contemporânea Africana, que nos últimos quinze anos, se vem constituindo pelo mundo, já que, exceptuando a Bienal de Joanesburgo – de que cita, por mais de trinta e cinco vezes, o comissário da participação angolana – não fala da participação africana as mais importantes bienais de arte (Veneza ou dakar, por exemplo) e nem fez uma revisão da Antologia da Arte Contemporânea Africana, editada pela Revue Noir (Paris. 2001);
5. O autor pretende fazer uma análise da Arte em Angola sem consultar as teses de Vitor Manuel Teixer Francisco Van-Dunem, Jorge Gumbe, apenas para citar três exemplos. E quando cit textos consultados de vários calíbre, descontextualiza arbritariamente, não cita bem ou atribui citações que não correspondem aos autores que ele pretende ou mesmo ainda quer falar do pensamento de uns e de outrod sem os sistematizar convenientemente.
Emempllificando ainda mais: Entre as páginas 21/22, atradução da frase de Roland Barthes do francês ao português está tanto incorrecta como opaca, porque não existe (valimento) e o sentido da frase fica totalmente destorcido.
Na página 44 o autor stribui à Ana Maria de Oliveira um texto que não lhe pertence e que, em verdade, é de Adriano Mixinge que o assina (A. M) – as iniciais de Ana Maria de Oliveira são A.M.O – no catálogo Angola in Africus (Joanesburgo, 1995). Convém dizer que a dita antropóloga não escrever não escreveu nenhum texto para ao referido catálogo.
De atitude, perfil ética profissional do autor
Ao longo do ensaio, o autor destila um ar provocativo que não enriquece em nada o texto, porque carece de argumentos sérios para sustntar as ideias com as quais diz disconcordar. Se nota um forte desejo por aparecer como auto de um texto que se querer melhor que os que ele cita como seus predecessores; mais do que citações há uma tentativa de parodiar os outros, o qual muitas vezes é gratuito.
Via internet apuramos que o autor tem alguns textos publicados sobre o Reino do Kôngo, todos eles, como de resto, também o ensaio que estamos a analisar, de uma autoridade bo assunto, quando isto ainda é algo que está para ver ou, em todo caso, sobre o qual os leitores sempre terão a última palavra. Batsa entrarem no site www.ne-kongo.net
Sugestões
Só depois de muito bem corrigido a nível gramatical e superadas as carências tanto a nível documental, bibliográfico como argumentativo e que, independentemente de tudo, se podia avaliar a possibilidade da sua publicação, mas, claro, será sempre da responsabilidade do autor o como, quando e onde fazê-lo.
Aconselhemos que, seja qual for o conselho editoral que reler o texto, exija ao autor apresentar uma versão com reproduções das imagens que o texto refere.
Face ao seu curiculo, muitas dúvidas sobre a possibilidade real de fazer os cursos que diz fazer vem-nos à cabeça e, claro, esse aspecto ensombrece ainda mais as pretensões do autor, que não falta muito para ser um impostor. Enquanto não nos esclarece melhor, a sua aparição constitui uma sombra bo panorama das artes plásticas angolanas.