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Hildebrando: exposição

HILDEBRANDO
Por Patricio Batsîkama
 
 
MOLIMO, será o princípio duma viagem para o infinito?
 
Toda cultura é criada pelos Artistas, Políticos e outros possuidores da decisão, enquanto a civilização sempre foi exclusivamente modelada pelos Artistas. Mas o Artista é aquele que permanece no tempo, que reune aceitação no decorrer do tempo. Pois, Hildebrando, depois duma série de exposições individuais, tenta cumprir a sua parte com desta vez MOLIMO, termo lingala que significa «espirito».
 
Formalmente, nota-se a imperatividade de «ideologizar» uma linguagem desapropriada. Ora a linguagem é código, e sempre foi um exclusivo identificador. Assim por exemplo, entre francês, inglês, português somente o Inglês assusta ao som de «Greetings!». E na medida do possível, o pintor apresenta-nos uma linguagem cujo código é inclusivo e convidativo, proporcionando uma ilimitação «esférico-temática» da mundialização.
 
Os «pensamentos» pintados localizam a identidade (personalidade) moral do seu autor perante uma onda perplexa, no qual – destino de qualquer universalista – a dimensão ficcional explora a conflitualidade ideiática contemporânea num mapa exposicional concencializador.
 
Nesse amalgamo de pinturas, casam-se sensibilidades discricionárias e brotam dessas uniões um culto íntimo/banal onde o pintor-expositor é o sacerdote e a oferta-espactadora no mesmo tempo. «É difícil separar a arte do sagrado, pois encontram-se os dois em torno da dinâmica do Belo, que eleva e inspira ao mesmo tempo. Kandinsky e Paul Klee, na «época moderna», lembraram-nos que a arte está ligada ao espirito, mas Leonardo da Vinci já dizia «a pintura é uma coisa mental». (Maison Rouge I, A arte contemporânea, Inquérito, Lisboa, 2001, p.67).
 
Molimo! Assim exclama pictoricamente Hildebrando com 13 «códigos visuais» ou, se me permitir a expressão, com 13 espiritos-base que, em suma, compõem um só Molimo, (espirito). Alí está a tentativa do Belo: ultrapassar o formoso enganador, para formoso verdadeiro que duma e outra forma obriga o espactador à refletir quando o confronta.
 
Serão eles 13 «vocábulos» que o dicionário lógico-pictural ainda não registrou? Está porém lançado o desafio aos lexicógrafos visuais (analistas de Arte) para conversão literal desses quadros na essência da «Filosofia e História Contemporâneas». O tempo, Juiz supremo, jular-nos-á se minimizamos essa proposta sobretudo que «são ideias pintadas»(sic!). A sabedoria aconselha preservar o «património». Esse pode ser material ou imaterial. Ora, esses quadros são «material e imaterial» ao mesmo tempo, um património completo que é preciso estudar.
 
Contrapondo o ânimo prórpio do criador com a tendência axiológica, essas pinturas herméticas fazem com que a sua leitura incorpora os factores culturais contemporâneos assim como a sua dinâmica social numa «gestão livre e deliberadora». Quer com isso dizer que apesar da «ilusão» ser indossolúvel à «arte», Hildebrando tenta desocultar a ausência existencial que separa o discurso «de dentro» e o «de fora» cuja a apreciação epistemológica de arte estabelece normalmente numa análise lógica.
 
Molimo, será uma viajem para o infinito?
 
A visualização interior – Molimo – é o princípio de qualquer arte, quer com isso dizer que tráta-se de aesthetis/sensibilidade. O material exposta que todo mundo observa, é a objectivação, isto é aesthetis/percepção. São aqui abordados na sua contemporaneidade: «Smook Cyting», por exemplo. Como diria qualquer Historiador/Filósofo, a História Moderna é apenas o começo da História e só a «longa duração» justicará o verdadeiro criador. Com essa proposta, Hildebrando está, num ângulo semiológico, à eclipsar e simultaneamente morigerar o conceito da «arte conceptual», impondo os seus «cuneiformes pictóricas» emvez das letras meditativas. Bela tentativa, mas é provável que não se limitará por aí. A virilidade do seu espirito, a mocidade impetuosa nas suas «andanças exposicionais e investigativas» nos dão essa impressão. Somente o futuro dir-nos-á a verdade! Mas o certo é que Hildebrando está à traçar seu próprio «caminho» cujo terminal nos parece incognito.
 
Êxito é o cúmulo das tentivas.
 
 
 
Bibliografia
1.       BAUMAN & BRIGGS C L., Voices of modernity: language, ideologies and Politics of inequality, 2003
2.       BENJAMIN W., L’œuvre d’art à l’époque de sa reproductibilité technique, Editions Allia, Paris, 2003.
3.       BIDIMA, Jean-Godefroy, Théorie critique et modernité négro-africaine. De l'Ecole de Francfort à la Docta spes africana (Philosophie, 1). Paris, Publications de la Sorbonne, 1993, 343 p
4.       DUVIGNAUD J., Sociologie d’Art, P.U.F., Paris, 1972
5.       GAUDIBERT p., Art africain contemporain, Diagonales, Turin, 1991
6.       MUDIMBE V.Y., The invention of Africa: gnosis, philosophy and the order of knowledge, Edição de Autor, London, 1988
7.       PHILIPS T., Africa. The art of a continent, Prestel, New York, 1996
8.       PLACID E., Psychology and criticism approach, Ed. Do Autor, Wales,1999.
9.       READ H., Uma História da pintura moderna, Martins Fontes, São Paulo, 2001, 409p.
10.   WALTER I.F., Pablo Picasso, 1881-1973, Benedikt Teaschen, Colonia, 1992
 
 
 
 
 
 
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