Overblog Tous les blogs Top blogs Mode, Art & Design Tous les blogs Mode, Art & Design
Editer l'article Suivre ce blog Administration + Créer mon blog
MENU

Publicité

Mbanza-Kongo, l'origine de tous les Kongo?

MBÂNZA-KÔNGO, origem de todos Kôngo(?)
Patrício Batsîkama
 
De acordo com os Historiadores, a cidade de São Salvador teria sido fundado no dia 25 de Julho de 1506. E quanto a fundação de Mbânza-Kôngo? De acordo com a Oralitura as origens do reino Kôngo seria imortalizadas nesses termos: “Nsûndi tufila ntu, Mbâmba tulâmbudila malu” ou “Ntu kuna ntându, malu mu mayânda ma nzâdi”, ou ainda, “Mpânzu ku ntu, Kyângala ku nima”. Ou geralmente dizem “Kuna Mbangala atukidi ambuta”.
 
Então, tomando o mapa geográfico do antigo Reino Kôngo, conforme debuxado pelos autores, logo observamos que Nsûndi é ao Norte e Mbâmba ao Sul (Mpêmba no Centro). Por esta via, digamos que Nsûndi tem outras equivalências as quais Mpânzu e Mpûmbu intervirão também, e Mbâmba muda-se com Kyângala (pode-se verificar nos livros da linealogia de Jean Cuvelier e Joseph De Munck. Ver a bibliografia).
 
NSÛNDI: deriva de «sûnda»: estabelecer-se, instalar-se, residir; acabar, cessar, terminar; superar, ultrapassar; ser preferível, superior a, melhor do que; ser o primeiro, estar em frente de uma corrida, um concurso; atravessar a agua, nadar, flutuar.
 
NTÂNDU é norte e as raízes: tânda: flutuar, nadar, passar a nadar ou ir aqui e acolá, andar; quem é grande; ou tândaba: ir aqui e acolá, num lugar certo, num pais; tândula: largar, tornar grande, esticar, aumentar, cercar pais, etc.
 
MBÂMBA (kyângala), bâmba: colar, fixado pelo barro, agarrar, fechar, apertar; bâmbakana: associar-se, juntar-se (num trabalho); apaziguar, amizade; bâmbakasa: enriquecido por bambakana: separar-se, deixar-se, ir cada um a sua costa.
 
YÂNDA: (ma)yânda: começo, origem, principio, razão, causa, fundamento; yânduka: (yândula), sentir calor, muito calor; aquecer-se, derreter-se como a banha (ao sol) aquecer; Yândula: retomar, propagar, divulgar; etc.
 
KYÂNGALA: ky-ângala: suor, transpiração; calor, atmosfera sufocante; yângala: o que é grande; yânga(la)kana: (não existe no dicionário Laman): estender-se, retomar-se como uma planta trepadeira. Sinónimo de yânzakana, ver Laman): estender-se como uma planta trepadeira, variante de yânzama; yângama: verbo de estado de yângika: flutuar sobre (uma superfície liquida); visível, estar elevado, gigantesco; yângama: largar-se.
 
Estas proximidades linguísticas autorizam-nos á dizer que o mundo nos Kôngo não começou a Mbâmba mas sim no Sul. Isto é, na concepção dos Kôngo. (Ma)yânda significa o Sul, para além de origem. Portanto, ainda lembre-se que neste país do sul, assim nos informam estas proximidades linguísticas, neste país do sul, «faz-se muito calor» (tal apoiam as palavras yânduka e Kyângala). Aliás, a tradição recolhida pelo Bernardo Da Gallo e Jerome de Montesarchio (nos séculos XVII e XVIII) copiada pelo Monsenhor Jean Cuvelier, diz directamente que o país onde o primeiro rei Kôngo estabeleceu a sua capital era NZÂNZA NKATU (Cuvelier J., Nkutam’a mvila za makanda, Tumba, 1972 (4 edit.) pp.12,17,21,33,37,38, …114 (edição de 1953) ). Esta palavra traduz-se literalmente “NÃO TEM GENTE”, gente sendo aqui a flora. Os tradutores da Bíblia apoiam a nós verosimilhante quando equivalem “DESERTO” a “NSI’A NKATU” (Ver a Bíblia versão Kikôngo publicada pelos missionários Ingleses: Evangelho Segundo Mateus:4:1 ), o qual NZANZA’A NKATU é uma variante. Então, que deserto? Nosso continente tem somente dois desertos. O Sahara sendo do Norte, e o KALAHARI que está no Sul, doutra forma no (MA)YÂNDA.
 
Na toponímia desta região, os autores assinalaram e continuam ainda a assinalar o topónimo de MBÂNGALA (Delachaux Th., L’ethnographie de la region de Cunene, Neuchatel, 1936, pp-8-9 ), exactamente na parte meridional de Angola. Portanto nos Kôngo, a palavra «mbângala» designa a época marcada por falta de chuvas, tempo seco, época de grande calores (Agosto - Setembro). Ainda mais, em Kikôngo (conferir nos Dicionários Laman e Bentley), a expressão «kuna mbângala» traduz-se por há muito tempo. Pois, a palavra MBÂNGALA ainda guarda as sequelas de seu velho sentido! «Kuna KÔNGO-DYA-MBÂNGALA atukidi ambûta», adverte a Tradição.
 
Na nossa oponião o primeiro Mbânza-Kôngo seria erigido no Sul de Angola, na sua História teriam existidos vários Mbânza-Kôngo, dado o seu significado. MBÂNZA deriva do bânzama, vânzama ou ainda yânzakana que significa estender, espalhar, pôr em acima, levantar para acima, pôr no teto. O mínimo estudo da etimologia que se pode fazer aqui dá a entender que a cidade central está situada num lugar visível ou melhor num sítio a vista de todos. Numa colina.  Os primeiros a ocupar esta região e precisamente a colina onde se encontra batida a cidade capital do Kongo baptizaram o nome de Nkûmb’a Wungûdi, umbigo do reino. Nkûmba deriva do transitivo kûmba prefixado de N, forma contratada de MU. O verbo significa «picar com picareta a superfície do sol, escavar as alicerces de choupana (ou cabana), vazar uma vala (rego, regueira) entre os campos servindo da linha de demarcação, permitir a saída de agua a espalhar-se para outros sítios do campo». O segundo elemento deste nome composto e WUNGÛDI. Isto é maternidade, fraternidade. Composto de wu, elemento para significar qualidade ede ngûdi mãe, tia, dama, mulher idosa, e metaforicamente, parte interiora, centro, dentro, domínio, meio, coração, o núcleo. No primeiro instante, Nkûmb’a Wungûdi significa o lugar principal, o centro do povo.Em kikôngo de Leste (em relação a Mbânza-Kôngo), o verbo kûmbanga que e, assim informa Laman K E, extentivo de kûmba quer dizer: “ir e voltar; frequentar varias vezes um sítio; (ou dialectalmente) 1) estar de cama; 2) sair ou cair de cama; 3) ficar de cama.
 
De acordo com os relatos e etimologias, a cidade principal serviu de ponto de demarcação para muitas famílias migratórias, tal como é principalmente no trabalho de campo na lavra. No mesmo sentido, a palavra nkûmba faz entender que essa colina, Mbânza-Kôngo, serviu de ponto principal (de demarcação), para muitas migrações. Principalmente três: 1) estar na colina, 2) sair ou estender-se fora da colina e 3) voltar na colina.
 
Esta análise faz entender que que quando os Kôngo declaram que vêm de Mbânza-Kôngo, isto não deve ser o actual. Ora donde eles vêm e passaram, fundaram muitos Mbânza-Kôngo (topónimo), cujo actual é o último. De facto, Mbânza-Kôngo ou simplesmente Kôngo como referenciam também os repertórios orais vem da expressão «mbânza ya Kôngo» repetida de maneira constante afim de indicar o centro ou núcleo do povo. Pois seria ambígua pretender que o actual Mbânza-Kôngo seja a origem dos todos os Kôngo. Logo, a data da sua fundação ainda está em discusão académica. Numa das nossas investigação baseada na oralitura, tentamos provar que muito antes do século X, o actual Mbânza-Kôngo já existia como «local de concentração do povo Kôngo».
 
A língua é um documento histórico consistente. Ela nasce junto com povo, acompanha-no nas migrações. A língua não mente em si, laranja é geralmente uma fruta específica que nunca será fraseologicamente confudida com outro «significante». E se alguém inventasse a sua língua deverá inelectavelmente ter um interlocutor que contenha o mesmo código linguistico. Doutro modo, ele morerá junto com a sua fabulosa invenção. E face à carência de «fontes» históricas habituais, a Tradição oral e a língua uma vez dianosticadas devidamente, contribuam de certo modo ou consideravelmente. Isto é a minha suggestão sobre os passados antelusitanianos dos reinados angolanos.
 
 
 
Publicité
Retour à l'accueil
Partager cet article
Repost0
Pour être informé des derniers articles, inscrivez vous :
Commenter cet article