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Etonismo

Etonismo, porque sim!

 

 

 

Habituados que estamos, no chamado mundo lusófono(?), a ficar eternamente à espera que as coisas aconteçam, é natural que o Etonismo, com tudo o que a palavra implica e sugere, vá ser recebido com os habituais comentários cépticos, porque assim está na natureza de muitos de nós, afectados pela síndrome de que tudo o que vem de fora é que é bom.

 

Mas é exactamente por isso que abracei a ideia e a apoiei logo desde o início, porque o que interessa é seguir em frente, criar factos, não estar à espera deles, porque, afinal, de factos, especialmente os que interferem, positivamente ou negativamente, nas nossas vidas, é que reza a História. O resto é treta.

 

Felizmente que o ETONA, arrostando com muita incompreensão, embora também com algum reconhecimento por parte de alguns responsáveis nacionais, habituou-se a não olhar para trás, no que foi secundado pelo seu parceiro Patrício Batsikama, na aventura da criação artística; o primeiro elaborando paulatina e perseverantemente a sua obra, este analisando e teorizando sobre o resultado dela, completando-se assim da melhor maneira rumo ao futuro.

 

Como diz Patrício Batsikama, «Etimologicamente, etonismo deriva do antropónimo Etona, que significa marca, bandeira, evidência, em Kikongo, língua nacional do artista.»

 

Pelos vistos, os pais do ETONA tiveram a percepção, ainda o seu fruto dava os primeiros vagidos, de que ele ia ser marca, bandeira, evidência, demonstrando uma presciência que a só a sabedoria africana antiga sabe ler e interpretar e, nitidamente, fizeram tudo para que a sua vergôntea vingasse neste presente tão difícil mas cheio de oportunidades.

 

Ousadia e atrevimento, sim – não tenhamos medo das palavras – mas, como diziam os antigos romanos, «A sorte protege os audazes».

 

A evolução artística do ETONA é realmente uma evidência, aí estão os seus últimos trabalhos a atestá-lo; a competência da análise do Patrício Batsikama sobre a sua obra pode ser verificada nas páginas a seguir, e bastam por si para o apresentar.

 

Por tudo isto é que isto não é um Prefácio, eu quero que seja um Panfleto.

 

O Etonismo é um facto e, como tal, vai ter de ser inscrito na futura História da Arte Angola. Não como mera pedrada no charco, mas como marca, bandeira, evidência, Estética de Ruptura.

 

Viva o ETONISMO, Estética de Ruptura!

 

 

 

 

Rodrigues Vaz

 

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