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Será Angola Culturalmente Independente?

INDEPENDENCIA CULTURAL
Patriício Batsîkama
 
O facto de termos um aparelho politico dirigido e sistematizado pelos angolanos, não quer com isso dizer que Angola seja totalmente independente. Economicamente por exemplo, os países Africanos em geral continuam endividados – entre eles Angola também. Mas vou tentar refletir sobre a «independência cultural».
 
«Não é fácil ser independênte». Naturalmente nascemos e durante relativamente 12 anos, dependemos alimentarmente dos nossos pais. Homem moderno começa a sua independência essencialmente quando finaliza a sua formação. Logo entra numa fase de luta para conquistar a sua independência. Assim também é na politica, economica tanto como na cultura.
 
Será Angola culturalmente independente? Antes de responder a essa pergunta, comecermos por estabeler um quadro resumido da realidade cultural de Angola. Assistimos a uma transformação rápida e não controlada pela alguma política cultural. Em regiões rurais, essa transformação é lenta, mas não deixa de ser um facto para nossa atenção. Nas zonas urbanas, gere-se uma confusão entre Angolano moderno/contemporâneo e o Angolano antigo/extracontemporânea. É um assunto muito sério que é preciso sensibilizar dum lado e de outro determinar consoante uma política cultural bem elaborada. Dado que não nos cabe a isso – senão sugeri apenas – vamos tentar resumir o Angolano hoje.
 
Angolano me parece hoje como um «povo desprotegido» culturalmente. Antes de proliferar as Igrejas, o Brazileiro utilizou «telenovelas», «boutiques de roupas». E, tal como tem dito Jacques dos Santos numa intrevista «A brazilerização é inevitável em Angola». Onde estavam os escritores, artistas, sociologos para preveni-la? Do mesmo jeito, Islão começou pela imigração sistemática dos Oeste-Africanos e suas cantinas. Posso entender que os Governantes do século XVI não tenham conseguido travar por falta duma estratégia ou política qualquer, mas no momento actual acho que é o dever de qualquer Angolano pois não apenas dos «Gigantes» da Cultura.
 
A revolução cultural permite a compreensão do neocolonialismo (o vício), seus mecanismo funcional e sua estrutura activa. Uma vez que a sua «independência» cultural é alcançada, o povo festeja naturlamente uma victória parcial contra o neocolonialismo dado que a «dinâmica humana» é «ideiática» e simultaneamente «material». Quer com isso dizer que a independência cultural se completa pela «revolução tecnológica» (ou industrial) para realmente ultrapassar o vício.
 
Portanto, não é tão fácil. O mais importante porém é na vontade do povo. A vontade à razão científica, pois não as «verdades subjectivas insocializantes» ou «boatos-credos»; vontade à abraçar o verdadeiro patriotismo, emvez de pseudo-patriotismo; vontade de competir nos desavios actuais com a sua identidade contemporaneizada sobretudo. E não só. É necessário se cultivar aceitação voluntária contra o impirismo, obscurantismo através da razão «científica» e pensamentos elaborados por nós e não importados ou inculcados além-fronteiras.
 
A História prova que o imperismo sempre foi para os ignorantes. Por isso, é muito perigoso e preocupante quando se trata de um povo, uma nação. Para superá-lo, precisamos de ter humildade de aprender com quem detêm o segredo do conhecimento. Confundido com obscuratismo, digamos que a Colonização consegui cegar os ex-colonizados e criou um «buraco persistente» para manter distância intelectual, ética, técnica, etc.
 
Em nome de imperismo e obscuratismo, é curioso ver um Portugal bilingue ou uma Suiça pluriglota com, ambas, diversidade etnica em harmonia mas os mesmos factos fomentam o racismo, tribalismo, genócidos, etc. em Angola ou qualquer outro país colonizado que ainda não adquiriu a sua independência cultural. É preciso que haja cultura de debates confronto de ideias (e o seu aproveitamento pelo aparelho governativo) para esclarecer essas «impasses». Do confronto das ideias, surge a luz. Pois é assim que no século XVIII surgir o Iluminismo.
 
Falando de ideia, gostaria de mencionar sem medo de errar, os tipos três tipos de Angolanos que até então descobri. Em todas camádas da sociedade, existe 1) Angolanos que são directa ou indirectamente «pagos» para combater outros Angolanos para satisfazer as intensões neocolonialistas; 2) a intriga é para alguns Angolanos «modus vivendi» e isso não permite de modo geral saber desenhar o bom destino para sociedade inteira; 3) existem outros Angolanos capacitadas em ideias próprias que são soltos e mal posicionados para ser ouvidos e confrontados com os outros. E, de modo geral, estamos distraidos, «com olhos molhados» sem visão própria. O poeta Agostinho Neto o avertiu bem: «criar, cria com... olhos secos».
 
 
Em princípio derramou-se sangue para conquistar independência política (que segundo alguns cépticos ainda não foi total), a independência cultural vai custar «mar de suor». E isso não se faz em cincos anos. A Grande Revolução Cultural (francêsa) custou aproximadamente cincos séculos. A nossa pode custar mais, talvez menos. È preciso começamos a trazer a nossa contribuição.
 
«Porque não criar um computador em Kimbûndu?», já que unanimamente o «tipoyi» é ultrapassado? Ou ainda, porquê não exploramos melhor a «fetiçaria»? Talvez poderemos entender e resolver melhor tantos outros problemas de caracteres políticos, económicos, social, etc. que nos tormentam. Ora optamos por menosprezar, simplesmente porque foi capricho dum Colinzador Cristão. É preciso uma revolução, começando por conhecer as coisas evitando aceitação cega as «mitologias»! Isto é, no meu ponto de vista a independência cultural é urgente para Angola. É preciso sair de obscurantismo e comecemos uma Era da Razão e Debates!
 
Vou tentar aruitar o meu ponto de vista, baseando na definição da cultura:
  1. Usos e Costumes. Conjunto de acomodações materiais e imateriais num espaço determinado, usos e costumes podem ser chamados resumidamente «hábitos». Vivendo actualmente na globalização, é difícil alguém ser radicalmente conservador na sua identidade. A identidade hoje inclui todas outras nas quais se tem contacto indirecta ou directamente. Portanto, a independência nesse domínio evoca a prinicipal ideia de insistência, de afirmação e persistência do Angolano dentro da Mundialização;
  2. Crênças. Qualquer ser humano, mesmo o mais ateu, leva no seu dia-à-dia uma serie de comportamento perante a natureza. A crênça é o motor espiritual e se traduz, na sua quotidianeidade, pela personalidade sensivel. Falando de um povo, as crênças porém constituem o modelo da conduta afectiva. Portanto a Independência deve nesse caso se definir na evidência das propostas onde o próprio Angolano se revê duma e outra forma;
  3. Lingua:Tida como alma de povo, constitui a personalidade objectiva duma pessoa. Uma pessoa educada pelos Católicos mesmo não querendo, acabará sempre para, no seu comportamento, pistar algum catolicismo. Um Chinês que aprende Kimbûndu nunca entenderá melhor a «personalidade objectiva» dos Kimbûndu. A independência nesse aspecto deve fazer não apenas prevalecer as linguas angolanas, mas essas devem a contrapartidas concorrer nas ciências e outros dominios contemporâneos. A língua por exemplo facilita para os ex-colonizados cuja História foi adulterada, reescrevê-la porque «a língua é fonte histórica». A verdade histórica ilumina o destino de qualquer Ser, individual como colectivo.
 
O Ministério da Cultura está a preparar o III Simpósio da Cultura Nacional. Do meu conhecimento, o seu Secretariado teria convidado os interessados dentro e fora do Minitério à se candidatar para participação nas comunicações. Isto significa que o próprio Ministério deu conta de que não se trata apenas de uma tarefa dos seus funcionários. «Quem diz Cultura, diz Nação», diz em Kikôngo «Bukulu ye Kinkûlu». Pois a Independência Cultural depende de todos Angolanos, creio eu. Directa ou indirectamente os Angolanos devem.... contribuir. Que aqueles que escrevem, pintam, fabricam, etc. não se cansem, mas melhor seria eles virarem o olhar (ou visão) na nossa identidade contemporaneizada.
 
O que significa isso? Aproveitando concluir, digamos que são os homens que criam a sua cultura. E quando a criam realmente, é porque obviamente já existe uma independência cultural. A guerra nunca acaba, e como dizia Marcos Aurelio, «existe sempre um adversário para enfrentar». Acabou a guerra das armas, mas ainda temos muitas guerras pela frente. «Guerra Cultural» que terá a sua terceira edição em Setembro, por exemplo.
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