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Arte em Angola

PROBLEMÁTICA DE ARTE E ARTISTA EM ANGOLA
 
Patrício Batsîkama
 
Arte e ciência de Arte
Aleksander Baumgarten forjou a palavra «Estética» que pela sua etimologia implica a «sensibilidade» e a «percepção» e tem por objecto de estudo a «arte».
 
Sendo assim, a arte deve normalmente ter uma definição. Doutro modo a Estética não teria direito a cidadania científica (ciência normativa). Alias, o Professor Ph.D. da Universidade Estatal de Moscovo se pergunta: «será que um especialista erudito possui os criteiros para distinguir a verdadeira arte?» E respode  «Em determinado sentido, sim» (in Educação etética e artistica, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, p.129).
 
Etimologicamente, a arte significa «criação» e definimo-la filosoficamente como «obra material ou imaterial cuja forma e conceito em congruência com temática é criação». Nessa definição são incluidas todas modalidades de Arte: 1) linhas: desenho, caligafia; 2) volume: escultura, arquitectura; 3) cor: pintura, gravura; 4) luminosidade: fotograma, cinema; 5) movimentos: dança, pantomima; 6) sons articulados: eloquência, poesia; 7) sons musicais: musica.
 
Logicamente propomos a formula seguinte: se Λ é arte, φ é tido como forma,ς como conceito, θ como temática (título) e que (a-1) simbolizando a criação, teremos porém: Λ = (φ/ ς) ≡ θ = (a-1).
 
Todas as ciências – exactas como sociais, experimentais como humanas – são sujeitas a descrição, ánalise, comparação, classificação e à informação dos dados.
 
Do «Semba» ao Kuduro, da UNAP a Trienal de Luanda, da encenação popular aos grupos teatrais autónomas, Angola já possui vários ficheiros. Infelizmente carece de ánalise, catalogação, classificação. E logo são desprotegidos perante os factores eventuais da História que possam permitir sua desaparição.
 
 
Artistas Angolanos
A discução de quem é ou não «artista» é antiga. Entre outros escritos que chegaram até nós, citaremos uma explanação de Miguel Angelo que ainda no seu tempo foi considerado «divino» pela sua inteligência e versatildade. Ao responder ao português Francisco da Holanda, disse: «no Velho Testamento quis Deus Padre, que os que houvessem somente de guarnecer e pintar a arca foederis (Arca de Aliança) fossem Mestres não somente Egrégios e grandes, mas ainda tocados na sua graça e sabedoria, dizendo Deus à Moisés que lhes infundiria sapiencia e inteligência do seu espirito para poderem inventar» (Diálogos em Roma, p.60).
 
Resumidamente o artista é 1) Intelectual (tem espirito de Deus), 2) Investigador (Egrégio, inteligente) e 3) integra a Elite (Mestre, Rabi, Guia espiritual).
 
Intelectual é aquele que – tal como o foi Emile Zola – se levanta a favor da verdade depois de a «sentir» (sensibilidade) consegue fazer percebe-la objectivamente (percepão), sugerindo soluções. Leornardo Da Vinci, Miriam Makeba, Bob Marley, John Lenon, etc. são exemplos de artistas-intelectuais.
 
Investigador. O artista não imita. Ele é egrégio que vai procurar a matéria prima nas fontes pouco acessiveis a capacidade normal humana. E transforma o «nada» em algo valioso, tal por exemplo o «Romantismo» revolucionou o «Classicismo» valorizando o feio, o pressuposto imoral, o «Pop Art» valorizou o lixo, etc
 
Elite. Usando a fantasia, o «Artista» é logo seguido pela massa directa ou indirectamente e com tanta facildade do que um político por exemplo. É fácil agradar uma multidão com a música, teatro do que com discurso político por exemplo. E o Artista quando é realmente tal é seguido facilmente: os «Rastas» para cita apenas esse exemplo.
 
 
O percurso artístico
Sou professor de Filosofia e da Estética no Instituto Nacional de Formação Artístico em Luanda. Ainda me lembro em 2005 quando comecei a lecionar que os estudantes pensavam que depois de finalizar o ensino médio seriam automaticamente «artistas». E não só. Os membros da UNAP (União Nacioanl dos Artístas Plásticos) pensavam que eram ipso facto «artistas». Com uma luta de dois anos, vejo hoje em dia a situação se normalizar.
 
De facto, estéticamente, toda arte começa pela «pseudo-arte», passa por «quase-arte» e «simili-arte» para finalmente ser «arte erudita» ou simplesmente «arte». Um longo percurso sem sombra de dúvida. Mas reconhece-se que se atingiu o apogeu pelo facto de ver a sua «arte» inerente a sua «personalidade».
 
Vou explicar melhor. A noção da «criação» que faz de alguém «artista» é muito ambigua. Porém filosofica ou esteticamente admitimos que a criação refleta a personalidade do seu criador. A Biblia por exemplo diz que Deus criou o homem consoante a sua imagem e semellhança. Jamais, biologicamente, um homem poderá justificamente procriar um macaco. O milho dá milho, etc. Por essa razão, logicamente a obra do «artista» leva sempre com ela a personalidade do seu criador. E para o justificar, deve-se fazer o estudo psicológico (spicologia de arte) e grafológico comparativa.
 
 
 
Caso Angolano
O que é a Arte e quem é Artista? Em Angola essa dupla pergunta ainda não se responde de forma devidamente teorizada, nem sistematicamente explorada. Adriano Mixinge, em 2001, comissariou a exposição intitulada «Metáforas Angolanas: panorama...» e justifica o título dessa forma: «partimos de uma perspectiva que admite a existência de um português angolano, forjado através da síntese espontânea e vital entre as diversas línguas nacionais de Angola com a língua portuguesa, que neste caso, está a ser RECRIADA nos modos de falar POPULAR».
 
A lógica ou melhor «logikê» é a ciência da linguagem ou das palavras. Pois o que esse «pensar» pode significar logicamente? A língua portuguesa sendo para os Angolanos uma importação desde a Europa, obviamente que o autor nos faz entender que arte que se faz em Angola ainda é uma imitação, ou esteticamente dito «pseudo-arte». Eis o porque Adriano Mxinge fala de «falar popular», sabendo que existe «falar erudita», «retórica», etc.
 
Recentemente e precisamente no mês de Julho de 2006, Antonio Ribeiro fez uma seleção dos que são, na sua opinião, artistas no mundo lusófono. Os criteiros para os autores angolanos surgem de um impirismo involutario do Ribeiro provavelmente emuldado da sua experiência pessoal. E nota-se facilmente a falta de rigor em 1) princípios da ciência de arte, 2) uso sistemático de ferramentas susceptíveis para seleção, 3) evidenciar os selecionados, o que pode ser falta de devido conhecimento sobre as essências dos autores Angolanos. Por exemplo quando reclama a falta de registro, a ciência de arte nos aprende à «criar o registro desde que os factos podem ser descritos». Será que não exite filmagens, catálogos, obras da época de guerra angolana? Obviamente que sim, logo a possibilidade de estruturar os registros.
 
O Angola não está fora do mundo. Da Vinci deve ser «artista pintor» nas mesma condições do que Jorge Gumbe ou Van; Miguel Angelo deve igualmente ser «artista pintor-escultor» nas mesmas realidades do que Etona ou Masongi Afonso! Por essa razão estabelecemos os criteiros de «arte» dum lado e do «artista» de outro.
 
Os que escrevem devem ter muito cuidado quando denominam «artista» a alguém. Qualquer músico não é logo a partida um «artista», nem qualquer pintor um «artista». Artista tem criteiros que lhe diferenciem como tal tanto como a arte. Vejamos bem. O carvão que se encontra dentro do lapis é um bom conductor da energia. No entanto, não quer dizer que seja classificado como «ferro» que geralmente é bom conductor da corrente. Isto é, porque a familia de ferros tem determinados criteiros nos quais «carvão» não se enquadra totalmente. Tal é o caso também de «arte» e «artista». Somente o que ou aquele que tem as devidas «características» que merece a apelação ou de «arte» ou de «artista».
 
Estamos de acordo que para salvar a «Arte Contemporânea em Angola» deve em primeiro lugar organizar os elementos da sua sistematização: 1) ciências de Arte, 2) redefinição das organizações artísticas e 3) criação da Legislação de Arte: Museu de Arte Contemporânea onde interferem as Instituições artísticas (prática) e Ensino Superior (teoria) em matéria de Arte.
 
 
 
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