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PRÈMIOS SEM TROFÈUS EM ANGOLA

PRÉMIO SEM TROFEU OU JURI INCAPACITADO?
Patrício Batsìkama
 
O Prémio Nacional de Cultura e Arte, Edição 2006 levanta «polémica dos medrosos». Enquanto uns declamam respeitar a decisão de Juri, outros crêem na revisão do mesmo. Ou será esse facto o resultado da quebra inesperada do sistema do próprio MiniCult a respeito do Prémo?
 
Em princípio, nota-se o descontentamento na parte dos Artistas, especificamente por aqueles que neste ano fizeram exposição. Logo, não é necessário ser Mago ou mágico para entender as intensões subjectivas. Dum e outro modo o Angolano de hoje deve ultrapassar essas mesquinhas. Se Van, Kidá e Sabby fizeram exposições para «conquistar» o trofeu da Cultura edição 2006, devem porém ter conhecimento dum suporte jurídico que legitima o premiado. Isto é, não devem confundir a auto-avaliação com a avalição objectiva. Logo, Jorge Gumbe me parece idóneo mas pouco objectivo para resolução do problema: cláro que, como premiado, evite uma auto-crítica. Um medo necessário, cláro!
 
Na verdade um prémio implica 1) Júri, 2) Concorrentes e 3) Obra. Todos estão relacionados pelo «regulamento» não somente como suporte jurídico mas também como instrumentode justificação do resultado. O Júri deve ser dinâmico, o regulamento também. Será o regulamento para Premio Cultura e Arte dinâmico? O será os Jurados (membros do Júri) dinâmicos? Já que as Artes Plásticas ninguém foi premiado, digo eu, os Jurados dessa modalidade (Marcela da Costa e Augusto Ferreira) frequentam pouco os ateliers dos artistas ou escolhem quem eles quizerem. De acordo com o regulamento, não somente que os concorrentes devem depositar as suas obras, mas devem os Jurados visitar os Artistas também. O pintor «Manfilas» não fez nenhuma exposição, mas na sua casa, tem algumas obras. Já lhe visitei e declarou que nunca foi visitado. Para ceitar apenas esse. Ainda mais, Augusto Ferreira já declarou publicamente que já não queria saber das Artes Plásticas e doravante vai se dedicar na sua Igreja. Porque então ainda continua como Jurado?
 
Devemos respeitar a opinião do Júri, tal como o sugere Jorge Gumbe. Mas isso não quer dizer que devemos calar as outras opiniões. Uma delas é a minha por exemplo, «o ano passado o mesmo Júri premiou os funcionários/«familiares» do MiniCult, e ficava sem ética e muito mal visto sobretudo que outras individualidades também apresentaram trabalhos de grande gabarito ainda. E esse ano, o cântico mudou apenas de vozes pois não de notas que devem ser dinâmicas», tal como os Inglês: «The players change, the game maintains the same»
 
 
Mas vou tentar entender um pouco o atitude do MiniCult. É boato muito comum que muitos premios funcionam com esquema. E o da Cultura e Artes parece cair nesse delirio. Será Angola simplesmente Luanda? Pois não. Portanto, porquê que somente os de Luanda (naturais ou habitantes) recebem esse prémio? O país é de todos, e se por acaso tal Director ou Governante não se gosta desse ou daquele, não se pode confundir na gerência pública. Sobretudo que tudo em Angola é domocratizado, até a Cultura! A História nos julgará amanha por aquilo que fizemos hoje. E o mais preocupante é da «credibilidade» que ganhamos ou perdemos.
 
A respeito desse ano, nas Artes Plásticas a imprensa teria pronosticado Van para Edição 2006, comentado nos Jornais nacionais: Jornal de Angola, Angolense, especialmente. Aliás, uma grande confusão se nota nas palavras do próprio Ministro da Cultura ao dizer no encerramento da Exposição de Van: «O nível estético e artístico desta amostra de Van é uma referência incontornável das artes plásticas nacionais». Portanto, na publicação dos Premiados, o governante sublinha que: «a não atribuição de prémios nas categorias de teatro, artes plásticas e cinema e audiovisuais é revelador do estado crítico em que se encontram algumas das expressões artísticas nacionais». Preocupante, ao que me parece, que isso venha acontecer com o próprio Ministro.
 
Será que o «premiado proposta» teria suscitado mais polémica, e prevenindo a situação mudou-se para «sem trofeu» na modalidade das Artes Plásticas?
 
Aonde está o conceptor da Trienal? Em nome da Trienal de Luanda Fernando Alvim é o único em Angola nesse dois últimos anos que mobilizou as Artes Plásticas: abriram-se vários espaços na cidade de Luanda; fez vir especialistas para palestras a respeito do funcionamento da Arte; possibilitou apoiando as exposição de Kidá, e relativamente do Van; orientou uma recolha dos dados estéticos para reconstuir a pintura Lunda, etc. Será, mesmo com isso tudo, não merece esse trofeu? Independemente daquilo que se diz aqui e acolá a respeito do Fernando Alvim, creio que devemos ter a capacidade de separar as nossas intensões subjectivas que muitas vez são enganadoras. «quem nunca pecou atira a primeira pedra», diz o filósofo Jesus. Já critiquei Fernando Alvim algumas vezes. Ainda continua com o meu «olhar crítico» fazendo leitura na sua pessoa. Mas creio que esse artísta promotor está a contribuir na revolução da mentalidade Angolana sobre várias manifestações artísticas para além duma Internacionalização dos Autores Angolanos. E, aconselho que o regulamento do Prémio Nacional de Cultura e Artes não deve excluir essa forma de actuar.
 
Algo não está bem no Júri, creio eu. Citei exemplo das Artes Plásticas, mas existem outras críticas sérias ainda sobre as outras modalidades. Também, perde-se «aurora artística» para aqueles que reclamam que deveriam existir prémio nas Artes Plásticas: auto-avaliação é diferente de avalição objectiva! O que é vislumbrante: o Prémio está molo-molo à perder o seu verdadeiro prestigio, dum lado; e de outro uma crise intelectual menace a classe. Para superar, creio eu, deve-se criar dinâmica no Júri, e mudar dos métodos de incentivar assim como as ferramentas de actuar.
 
Premio sem trofeu ou Júri incapacitado? Encquanto o Júri acha que não houve trabalho que respondam aos criteiros do trofeu, os «artistas» angolanos crêem que tal pronunciamento não convence. Pois qual seria a opinião do livre observador?
 
Na minha leitura, vejo 1) disconcentração do próprio sitema criado consciente ou incnscientemente pela forma do Júri trabalhar: «criar» os premiados por uma ou outra razão extrinseca do regulamento. As duas últimas edições confirmam-o; 2) falta de deontologia na parte dos «artistas» angolanos ao reclamar. Logo, dá mais uma razão ao Jùri de não premiar, acho eu, deveria ser outros especialistas a reclamar da forma que fizeram.
 
Por isso, vou concluir dessa forma: o empirismo prevalece ainda apesar de Faculdades recentementes criadas, e Licenciados e Doutores formados que fazem parte desse scenário artística ou Cultural. Logo, tal situação não espanta um bom meditador. Um Júri pouco dinâmico, «artistas» actuando antiartisticamente e obras com pouca carga filosófica para evidenciar sim ou não a conclusão seria certa fazem com que todos nós fiquemos barralhados. È préciso que saimos desse empirismo: que se criem Faculdade de Filosofia/Estética para superar, essa é a minha opção.
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