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Helena Justino

HELENA JUSTINO
 
Patrício Batsîkama
 
O pensamento artístico apresentado através da obra torna-se cognoscível quando somente é verdadeiramente estético. Com uma formação superior nas Belas-Artes, a técnica ou prática não faz falta a Helena Justino. Porque a sua obra já não faz parte da pseudo-arte nem da quase-arte, que já ultrapassou. O seu lugar será na simili-arte ou talvez já na arte propriamente dita?  E, como tal, qual será o valor estético da sua obra?
 
Dúvida, no sentido de pesquisa, e perseverança são duas características que encontro na sua obra. As intenções são expressas num contraste pictorial entre tonalidades quentes e frescas. Numa primeira análise poderíamos dizer ser «uma Portuguesa que viveu muito tempo em África». Mas não é isso que as próprias pinturas transmitem, se queremos respeitar a semiótica ou a lógica pictográfica. Duma pintura para outra, desenha-se a evocação imaginária criando «dúvida» - insisto, pesquisa - entre a retórica de bem pintar e a retórica de bem codificar. Esteticamente, toda a arte é uma filosofia, e Helena Justino «recria» um contraste pictórico que se confunde até à sua própria natureza de Ser e de ser. E a diagnose retórico-pictórica polariza a idiossincrasia identitária da autora contra a idiossincrasia pessoal: de natureza tranquila, serena e conscienciosa, com que as suas obras expressam uma personalidade autónoma. Motivo de pesquisa estética!
 
Quanto à teimosia, no sentido de pesquisa, repito, que está presente nas suas pinturas – e muito duvido que a própria autora tenha plena consciência disso, «Cromofotogramicamente», Helena introduz a sombra pseudo-clara, numa claridade a pender para o escuro. Psicologicamente, trata-se de Ela mesma! Pois dá sequência nos estudos de «cromos» que indirecta ou directamente fazem os Pintores dedicados desde Da Vinci, Goethe e, ultimamente, com o «criador» da cor inexistente. Mas não é a isso que me quero referir. Esteticamente, esse jogo leva com ele todas as inerências do convívio subjectivo que ela tentar objectivar. A mundialização é cada vez real; a tendência está inclusivamente a ganhar visualidade cada vez mais; a coesão das partes vislumbra a opção menos ironizada, sem perder de vista que a Estética é normativa. Traduzimos por teimosia acerca da pintura de Helena Justino a constituição imaginativa do organon epistemológico onde a arte europeia, africana e asiática desnudam a sua etiqueta para um só corpo. Bela tentativa!
 
Em como podemos ver, a dualidade «dúvida/pesquisa» e «teimosia» estética é uma convergência metódica que Helena Justino utiliza nas suas expressões picturais.
 
Pois é assim duma forma resumida como entendo as linguagens picturais de Helena Justino. Vão ser, naturalmente, precisas mais investigações para dimensioná-la devidamente, colocá-la na História da Estética Portuguesa, quando não Africana, já que essa particularidade – uma vez cientificamente desenvolvida – poderia ser contributo valioso universalmente. Cada um é especial, mas quando se entrega por si próprio ao benefício da Humanidade, é um semi-deus. E se é o homem que psicorreligiosa ou teosoficamente cria o seu deus, claro que é preciso que comecemos a estudar os nossos criadores para que num futuro próximo sejam lembrados como «semi-deuses». E Helena merece isso.
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