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Masongi 2007

MASONGI AFO 2007
 
No catálogo da EnsArte edição 2006, referente as obras recentes de Masongi Afo, lemos: «a obra realça a necessidade de valores positivos para o desenvolvimento dos povos na condição pos-colonial»(p.38).
 
Familiarizamos com o restante das obras que no total são 18, debatemos com seu autor e comentamos sobre os títulos. Deu para nos percebemos que esses objectos não são apenas para «realçar a necessidade de valores positivos...». Motivos da sua próxima exposição individual, as obras constituem um «estudo semiótico» específico sobre as consequências «Angola em guerra» que autor indentifica estéticamente os domínios afectados e, ao que me pareceu, propõe os reparos.
 
São madeiras que escultor «queimou» à bon escient, tal como os Angolanos hoje reconhecem ter queimado seu país. A verdade dói. Arte é como a ciência, e importa pouco se a verdade que propõe não agrada. Ali está o caso dessa proposta. Com uma agressividade escultórica que aparentemente deteriore as espectativas da Paz alcançada, deve se deixar clára uma dúvida: o conjunto dessas obras indica que essa Paz pode vir a fracassar se não se identifica melhor os misivi, para reparâ-los. Pois o autor tentar não só identificar, mas sobretudo, ao que me parece, propõe modestamente a salvaguarda do património cultural (uma mistura cultural, racial, tribal,etc.) num convívio apodítico face aos desafios acturais e vindouros. Eis porquê o escultor evidencia as pluriformas universais, com ictos antropológicos/filosóficos angolanos. Uma tentativa de Angolanitude!? Angola precisa duma Faculdade de Filosofia/Estética, ou de Historia de Arte para melhor visuabilidade e intelecção estética.
 
Na sua Sexta Meditação, Descartes distingue a «pura intelecção e a concepção da imaginação. Quer dizer conceber no espirito e o imaginar vinculado no corpo». O que significa que o criador – artista – é resumidamente um intelctual com consciencia filosófica. A concepção africana sobre «Arte» (que é uma actividade universal) não é tão diferente da concepção original: criação. Na civilização arménia, Deus criou tudo que basicamente existe. O que significa que toda obra de Arte (criação) leva com ela uma carga «espiritual», «mágica» digamos. Entre os Africanos, a criação é celebrada duma e outra forma: do ferreiro ao escultor, do ngânga ao recém-nascido a criação é motivo de cerimónias.
 
Então porquê que o escultor emvez de nos festejar a Paz com uma expressão visual charmosa, prefere nos fazer refletir numa realidade que já vivemos? Antes de respondemos vejamos a essência da arte: belo.
 
A palavra belo vem do latim bellum (bellus): gostoso, amável, charmoso, bonito, etc. Por essa razão durante muito tempo, a arte querendo ser exclusivamente Ocidental, limitou-se na decoratividade cuja essência era o sublime, a perfeção. Com Emmanuel Kant a axiologia do belo provou que arte também é ao mesmo tempo desgotoso, odioso, horrível, feio, etc. Pois é nesse aspecto que se deve entender as obras de Masongi. Aliás se na Antiguidade somente pouco dos pintores, escultores, arquitectos, etc. eram realmente considerados, a cientificação da Arte hoje permite moderâ-los. É preciso que os Estudantes da Filosofia das nossas faculdades vão ao encontro não somente de Masongi Afo, mas dos outros também, afim de entender e interpretar melhor a História Contemporânea que, na falta ou escassez dos Historiadores, os «artistas» estão a escrevê-la semioticamente.
 
 
A Lógica é ciência das linguagens. Por linguagens deve-se se entender 1) palavras, signos, simbolos, cores, etc. 2) mímicas, etc. Enquanto as palavras têm dicionário para explicação, os signos por exemplo ainda carece de boas lexicografias. Porém, a semiótica – teoria geral de signos segundo C. S. Peirce – nos facilita as vezes descodificar as linguagens mais subjectivas como a da arte. Se dum lado deve se criar os signos, do outro vejo essas propostas como motivo de consciencialização para 1) salvaguardar o património cultural angolano
 
Duma maneira geral, os Artistas contribuem na massificação das linguagens. Uns de forma indirecta, inconsciente e outros – com engenharia linguagética – querem fazê-lo directa e consciente. De qualquer forma em ambos casos, é importante proceder de forma específica e detalhadamente explicada. As esculturas queimadas, quê linguagens!? Pois é preciso estudá-las, sobretudo quando são obras dum escultor, uma vez Prémio Nacional de Cultura e Artes (logo na sua segunda edição), um professor na Escola Nacional das Artes Plásticas.
 
Patricio Batsikama
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